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30/03/2013 00:00

Sadi Buzanelo

A Páscoa, os coelhos e os chocolates

Na origem da expressão ‘passarei por cima’, em Hebraico pessach, surge o nome Páscoa, na nossa língua.

Não é de hoje que o ser humano busca prazeres. Alias nada demais nisso. Com equilíbrio e prudência faz bem para o corpo, a alma e até para o espírito. Mas existem algumas coisas que a ‘espécie’ troca pés pelas mãos, literalmente. Uma destas ‘confusões’, que não é obra do acaso não, ela tem uma razão comercial e um fundo muito espiritual: A PASCOA.

“Pela fé Moisés começou o costume de celebrar a Páscoa e mandou marcar com sangue as portas das casas dos israelitas para que o Anjo da Morte não matasse os filhos mais velhos deles” Hebreus 11:28

Para não ficar, apenas em minha opinião, vejamos o que o Livro mais lido do mundo fala sobre este acontecimento. (Em Êxodo 12 muitas referencias e ao olharmos para Ex 12.1-12, nota-se a ‘primeira Páscoa’)

O termo "páscoa" deriva da palavra hebraica ‘pessach’, que significa passar por cima, pular além da marca ou passar sobre (atravessar). Quando Deus ordenou ao anjo destruidor que eliminasse todo primogênito na terra do Egito, a casa que tivesse o sinal do sangue do cordeiro não seria visitada pela morte (Êx 12:1-36). Os judeus passaram então a celebrar a Páscoa (Pessach) comemorando a saída do Egito, a passagem para a liberdade.

A partir de Jesus, essa celebração foi substituída pela Ceia do Senhor, com o pão e o vinho, em Sua memória. Não mais para relembrarmos a saída do Egito, mas para estarmos sempre nos lembrando da liberdade que Nele há, da Sua morte e ressurreição. A passagem de uma vida, para uma vida vivida em "novidade de vida".

Páscoa é uma comemoração muito importante na vida do cristão, ela é sinônimo de libertação. (Ex 12:17-42; Dt 16.3); entende-se também como início de novos rumos, da nova caminhada em direção a uma vida santa e segundo o coração de Deus. Sua instituição foi ordenada pelo próprio Deus ao Profeta Moises (Ex 12.1,2 e Jo 2.23); a observação é uma ordenança e deve ser cumprida pelos verdadeiros filhos de Deus (Ex 12.28-50); a exemplo do Senhor Jesus, que junto a seus discípulos a comeu. (Mt 26:17-20)

A Páscoa significa libertação. Cristo Jesus é a libertação. Ele se manifestou na terra das ‘destruir as obras de Satanás’ e dar Vida Eterna a quem quer. A Páscoa surge como a festa que marcava o fim da opressão e da escravidão no Egito do povo hebreu. A profecia dada a Abraão revelava que seus descendentes ficariam sob o domínio de uma terra estranha por 400 anos, mas que depois eles seriam libertados e sairiam com grande riqueza (Gn 15:13-14). E isto de fato ocorreu, mas não antes que esta festa fosse celebrada.

Porque Deus quis ensinar que o sacrifício expiatório, a fé e a nossa obediência precedem a plena libertação, afinal, Israel não estava sendo liberto apenas do Egito, mas também do Anjo da Morte. E isto implica que a libertação espiritual sempre precede à física.

Se o sangue do cordeiro não fosse derramado e aspergido sob os umbrais da casa, o povo de Israel teria sido destruído pelo Anjo. A libertação da páscoa reveste-se, portanto, de um caráter interior, por mostrar a necessidade pessoal de libertação por meio da substituição. E um caráter prospectivo, porque profetizava a libertação antes dela acontecer e prenunciava a obra messiânica de Cristo, o filho do Deus Vivo.

Neste sentido, a Páscoa devia ser celebrada por todos com profunda reverência e festa, afinal, Cristo é a nossa Páscoa. Sua vida foi posta como cordeiro que sendo morto derramou seu sangue em favor de muitos. A nossa libertação espiritual plena foi conquistada pelo SENHOR, a nossa Páscoa. João Batista chamou Jesus de ‘cordeiro de Deus’ que tira o pecado do mundo (João 1:29).

Mais tarde o Apóstolo Paulo disse que ele é a nossa páscoa (1º Coríntios 5:7), e Ele mesmo prometeu a libertação a todos quantos crerem Nele (João 8:32-36 e Mateus 11:28). Devemos aceitar o sacrifício de Jesus feito por nós como diz as Escrituras, e assim saborear da páscoa, e estar no caminho da liberdade espiritual. Isso está acima de seitas e religiões.

A Páscoa dos hebreus os libertou da escravidão, opressão, miséria e de seus pecados perante Deus. Sabemos que esta libertação aponta para o começo de uma nova vida, liberta de todos os seus terrores, medos, angustias e opressão.

Páscoa significa também salvação para toda a Família. Vejam que a promessa de Deus era que por meio do sacrifício de um cordeiro e cada casa era salva do destruidor. Faraó havia dito ao povo hebreu que eles podiam ir, mas sem os seus filhos (Êxodo 10:8-11). A Páscoa nos desperta para o fato de que a obra de Jesus foi suficiente para conceder libertação também a nossa Família.

Páscoa é a celebração da Nova Vida. A páscoa, como é comemorada pelos povos do mundo, não nos traz qualquer beneficio, mas quando entendemos que nossa Páscoa é Cristo, então chega a hora de tiramos das reflexões e práticas correlatas, muitas importantes lições. Primeiramente aprendemos que se Cristo é a nossa páscoa, não faz sentido a comemorarmos com ovos e nem coelhinhos, tampouco com sacrifico de animais, mas através do sacramento ordenado por nosso Senhor Jesus Cristo, a Ceia do Senhor.

Sabemos que o ovo e o coelho, são símbolos que vieram dos antigos povos, como os egípcios e os persas, além de outros. Nesse caso, os ovos eram tingidos, e dados aos amigos, e os chineses as usavam nas festas de renovação da natureza. E como peças decorativas pagãs, chegaram a nós, proveniente de regiões como a Ucrânia, sob o nome de pessankas. Apenas intenção comercial numa visão mercantilista nos dias atuais em muitos países, como o Brasil.

Mas de fato o elemento mais importante do cordeiro pascal no Egito foi o sangue, que devia ser passado nos marcos e vistas das portas nas casas. O sangue era o sinal [símbolo e selo] para o Senhor [abençoá-los]: O sangue nos batentes das portas será um sinal para marcar as casas onde vocês moram. Quando estiver castigando o Egito, eu verei o sangue e então passarei por vocês sem parar, para que não sejam destruídos por essa praga" (Êxodo 12.13).

Podemos, portanto dizer que o principal intuito desta festa, além da adoração a Deus, é religar o povo judeu todos os anos à sua própria história, sua liberdade. Já no âmbito cristão, a liberdade deve ser foco: Jesus, ressuscitado, libertou aqueles que estavam em poder do pecado, desligados de Deus.

Assim como participação na Ceia do Senhor é um mandamento a todo cristão convicto deve ter. Jesus foi muito claro ‘Fazei isto em memória de mim’. Ele exemplificou tudo o que deve ser feito. E se queremos ser salvos, precisamos seguir o que Jesus ensina e não outras tradições ou ensinamentos, por mais ‘doce’ que sejam.  Mateus 15:9 o Mestre adverte: "Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens".

Na carta de Paulo ao povo de Gálatas (Gl 4:9-10) ele afirma...  “Mas, agora que vocês conhecem a Deus, ou melhor, agora que Deus os conhece, como é que vocês querem voltar para aqueles poderes espirituais fracos e sem valor? Por que querem se tornar escravos deles outra vez? Por que dão tanta importância a certos dias, meses, estações e anos?”

A verdadeira páscoa foi consumada quando o nosso Mestre e Senhor crucificado foi na cruz do Calvário. É bom lembrar que não tem sentido para nós este tipo de comemoração, visto que não representa sequer a ressurreição de Jesus, e sim, a revitalização de uma festa milenar e pagã de fertilidade, uma das razões de tantos ovos de coelhos.

O nosso alvo claro deve ser a importância da morte do Senhor Jesus, e nos lembrar disso, até a volta d'Ele, para nos buscar; isto é, devemos lembrar-nos da Sua morte na Ceia do Senhor. Para os discípulos de Jesus de hoje a Páscoa deve ser festa de ressurreição de Cristo, o unigênito do Pai. Vivo está. Simplesmente espetacular!

  • Sadi Buzanelo é teólogo e jornalista, atual Presidente do COPEFI.

E-mail: sadibuza@ig.co

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